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Se a sua empresa ainda roda integrações no SAP PI/PO, existe um ponto que já não dá mais para ignorar: o tempo.
O SAP NetWeaver 7.5, base do Process Orchestration, tem fim de manutenção principal em dezembro de 2027. Depois disso, manter o ambiente ativo significa operar com riscos crescentes de segurança, compliance e suporte.
Mas a migração para o SAP Integration Suite (SCPI) não é apenas uma resposta ao fim do suporte. É uma mudança estrutural na forma como as integrações são pensadas dentro do ecossistema SAP.
Este artigo explica o que está em jogo e como conduzir esse movimento com estratégia.
O que é o SAP PI/PO e por que ele ainda está em tantas empresas
O SAP PI/PO (Process Integration / Process Orchestration) foi, por muitos anos, o middleware padrão do SAP. Ele centraliza integrações entre sistemas SAP e não-SAP, permitindo orquestrar processos, transformar mensagens e conectar diferentes aplicações.
Na prática, ele virou o “hub invisível” de muitas operações críticas:
- Integração entre SAP e sistemas legados
- Comunicação com bancos, fornecedores e parceiros
- Orquestração de processos entre módulos
O problema é que, apesar de robusto, o PI/PO foi construído sobre uma arquitetura que já não acompanha as demandas atuais:
- Forte dependência de infraestrutura on-premise
- Baixa flexibilidade para APIs modernas
- Complexidade de manutenção
- Dificuldade de escalar integrações rapidamente
Ainda assim, ele continua presente em muitas empresas porque “funciona” e porque substituí-lo sempre parece um projeto grande demais para priorizar.
O que muda com o fim do suporte em 2027
O fim da manutenção principal do SAP NetWeaver 7.5 muda completamente esse cenário.
Não se trata apenas de uma atualização técnica. A partir de 2027, manter o PI/PO ativo significa:
- Risco de segurança elevado (sem correções regulares)
- Exposição a problemas de compliance
- Dependência de soluções customizadas para suporte
- Dificuldade crescente de encontrar especialistas
Na prática, o custo de “não fazer nada” começa a superar o custo da migração.
E existe um ponto adicional: empresas que já estão migrando para S/4HANA ou adotando BTP acabam ficando com uma arquitetura híbrida inconsistente, onde o middleware antigo vira gargalo.
O que é o SAP Integration Suite (SCPI) e o que ele entrega além da substituição
O SAP Integration Suite, conhecido como SCPI (SAP Cloud Platform Integration), é a evolução natural do PI/PO dentro da estratégia cloud da SAP.
Mas tratar o SCPI como “o novo PI/PO” é reduzir demais o que ele entrega.
Ele é uma plataforma de integração completa dentro do SAP BTP, com quatro pilares principais:
- Cloud Integration (iFlows): substitui os cenários clássicos do PI/PO
- API Management: publicação, governança e segurança de APIs
- Event Mesh: comunicação baseada em eventos (event-driven architecture)
- Open Connectors: integração simplificada com sistemas não-SAP
Além disso, ele traz capacidades que não existiam no modelo anterior:
- Integrações mais rápidas de construir e escalar
- Uso nativo de APIs REST e eventos
- Monitoramento centralizado em ambiente cloud
- Menor dependência de infraestrutura própria
Para entender como isso se conecta com a estratégia de dados, veja como o SAP Datasphere elimina extrações manuais e unifica informações do ERP.

A migração PI/PO para SAP SCPI é de extrema importância e tem data de validade: 2027. Saiba tudo sobre o tema e como fazer a operação!
Por que isso não é um “lift and shift”: é uma mudança de arquitetura
Um dos erros mais comuns em projetos de migração é tratar o movimento como uma simples cópia do que já existe.
No caso do PI/PO para SCPI, isso não funciona.
A mudança envolve uma nova lógica de arquitetura:
- De integrações baseadas em mensagens para integrações orientadas a APIs e eventos
- De processamento centralizado para modelos mais distribuídos
- De customizações pesadas para uso de serviços padrão
Além disso, entra em jogo o conceito de Clean Core (evitar dependências excessivas dentro do ERP e deslocar extensões e integrações para o BTP).
Isso exige decisões importantes:
- Quais integrações devem ser migradas como estão
- Quais devem ser redesenhadas
- Quais podem ser eliminadas
Entenda melhor como isso se conecta ao modelo de extensões no artigo sobre como ativar valor com SAP BTP sem tocar no core.
E mais: muitas empresas aproveitam esse momento para revisar toda a estratégia de integração (não apenas trocar a tecnologia).
Como a Coperty conduz a migração na prática
A abordagem da Coperty parte de um princípio simples: migrar tudo como está é caro e não resolve o problema.
Por isso, o processo é estruturado em etapas:
- Assessment técnico e funcional
Mapeamento completo das interfaces existentes no PI/PO:
- Volume de mensagens
- Criticidade
- Tipo de integração
- Dependências
- Classificação estratégica
Cada integração é enquadrada em um dos caminhos:
- Migrar (com ajustes mínimos)
- Redesenhar (aproveitando APIs e eventos)
- Descontinuar (quando não faz mais sentido)
- Desenho da arquitetura alvo
Definição de como o Integration Suite será utilizado:
- APIs vs iFlows
- Eventos vs integrações síncronas
- Uso de conectores padrão
- Execução em ondas
A migração não acontece de uma vez. Ela é feita em ciclos controlados, reduzindo risco operacional.
- Otimização contínua
Após a migração, o foco passa a ser performance, governança e escalabilidade.
Esse modelo evita um erro comum: gastar energia migrando problemas antigos para uma plataforma nova.
Esse tipo de abordagem também aparece em projetos como migração para nuvem sem conversão imediata para S/4HANA, onde a arquitetura é tratada de forma evolutiva , não como ruptura.
Por onde começar?
Se a sua empresa ainda está no PI/PO, o melhor momento para começar não é em 2027, é agora.
Os primeiros passos são mais simples do que parecem:
- Levantar o inventário de integrações atuais
- Identificar as mais críticas para o negócio
- Entender o uso atual (e real) do middleware
- Avaliar o nível de adoção de BTP
A partir disso, já é possível definir um roadmap claro — sem precisar iniciar um projeto grande imediatamente.
E existe um ponto importante: a migração não precisa estar isolada. Ela pode (e deve) ser conectada com outras iniciativas, como:
- Estratégia de dados
- Modernização do ERP
- Governança fiscal e regulatória
Inclusive, mudanças regulatórias já estão pressionando integrações em áreas como compliance. Veja o que está mudando no artigo sobre transição de SAP GRC para DRC.
A migração de SAP PI/PO para SCPI não é só uma atualização técnica. É uma decisão estratégica sobre como sua empresa vai integrar sistemas nos próximos anos.
Esperar até o fim do suporte pode parecer confortável no curto prazo, mas aumenta o risco, o custo e a complexidade lá na frente.
Começar agora permite fazer esse movimento com controle, priorização e ganho real de arquitetura.
E, principalmente, evita um cenário comum: trocar a tecnologia… e continuar com os mesmos problemas.
Fale com a Coperty e saiba como acelerar ainda mais projeto SAP. E se você curtiu este artigo, compartilhe-o e siga navegando pelo blog!

